Passageiros enfrentam filas e ônibus lotados no 2° dia de greve da CPTM em SP
No segundo dia de greve das linhas de trens da CPTM em São Paulo, os passageiros que optaram por utilizar os ônibus do sistema Paese acumulam reclamações do serviço na manhã desta quarta-feira (5) em São Paulo.
Além da demora e da superlotação dos veículos, os usuários afirmam que parte dos motoristas que dirigem esses ônibus não sabem o caminho que têm que seguir e pedem orientação para os próprios passageiros.
🔍 A Operação Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) é um sistema de ônibus acionado em São Paulo para transportar passageiros gratuitamente quando há paralisações, greves ou grandes falhas em linhas de trem, metrô ou do sistema municipal. Os ônibus vêm de linhas regulares para cobrir os trechos afetados.
Em São Miguel Paulista, na estação da Linha 12–Safira, um passageiro disse que demorou quase uma hora e meia para conseguir embarcar em um ônibus do Paese desde as 05h da manhã.
Os coletivos do Paese só chegaram ao local por volta das 06h15 da manhã.
A reportagem do Bom Dia SP, da TV Globo, constatou que em São Miguel, entre 5h50 e 7h15 da manhã, apenas um veículo Paese chegou à estação da Linha 12–Safira. Após as 07h15, ao menos três deles chegaram à estação.
Ônibus do Paese demoram e ficam lotados no 2° dia de greve da CPTM em SP
Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), ligada à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), 195 ônibus nesta quarta-feira (5) para os passageiros das linhas em greve.
O número é superior aos 128 veículos Paese disponibilizados na terça-feira (4).
Segundo a agência, “há inspetores acompanhando a operação nas estações de trem”, mas as reportagens da TV Globo não conseguiram encontrar nenhum deles nas estações até por volta das 07h17 da manhã.
“O Paese foi acionado para reduzir os impactos da paralisação e oferecer alternativas de deslocamento, principalmente entre a capital e a Região Metropolitana, com 195 ônibus nesta quarta-feira”, disse a agência.
Os ônibus da operação emergencial estão disponibilizados nas seguintes linhas, de acordo com a Artesp:
“A Artesp realiza a gestão dos ônibus do Paese e acionou as empresas responsáveis pela operação e reforçou as orientações aos motoristas. Sobre o caso relatado de desconhecimento da rota, pode ter sido uma ocorrência pontual”, declarou a gestão Tarcísio.
Linha 11-Coral – Trecho Estação Estudantes à Estação Guaianases, partindo das seguintes estações às 04h00: total de 95 ônibus, sendo:
Passageiro pendurado em ônibus da Operação Paese na estação Poá, da Linha 11-Coral na manhã desta quarta-feira (5). — Foto: Reprodução/TV Globo
Linha 12 – Trecho de Calmon Viana a Eng. Goulart, partindo das seguintes estações às 04h00: total de 90 ônibus, sendo:
Linha 13: trecho de Eng. Goulart a Aeroporto Guarulhos, partindo das seguintes estações às 04h00 – Total de 10 ônibus, sendo:
Com a greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, incluindo o Expresso Aeroporto, mantida nesta quarta-feira (5), a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos e disse que vai reagendar consultas e exames de pacientes da rede municipal que forem afetados. O governo estadual também manterá o plano de contingência para reduzir os impactos no transporte público.
A paralisação começou na meia-noite da terça (4). Os funcionários pedem a reestatização das três linhas repassadas pela gestão Tarcísio para a empresa Trivia Trens ou a manutenção dos 4.700 empregos dos funcionários da CPTM, que passam por um plano de demissão voluntária (veja mais abaixo).
De acordo com a prefeitura, o rodízio de veículos está suspenso durante todo o dia.
Greve em três linhas da CPTM afeta quase 1 milhão de passageiros na Grande São Paulo
“As equipes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) seguem acompanhando as condições de circulação em todas as regiões da capital e adotando as medidas necessárias para minimizar os impactos na mobilidade e orientar os motoristas”, disse o Executivo municipal, em nota.
Em relação ao transporte público municipal, não serão liberadas as faixas exclusivas de ônibus.
Já sobre as consultas e os exames dos pacientes afetados pela greve, a prefeitura informou que as unidades de saúde entrarão em contato diretamente com os usuários, não sendo necessária a presença, para o reagendamento. Em caso de dúvidas, os pacientes podem procurar a gerência da Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência.
Passageiros circulam pelas plataformas da Estação da Luz, na região central da cidade de São Paulo, nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026. Funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade atualmente operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), entraram em greve à 0h desta terça-feira, 4, por tempo indeterminado. — Foto: ROBERTO COSTA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO
Assim como ocorreu na terça-feira (4), o governo de São Paulo afirmou, em nota, que “a CPTM e o Metrô voltarão a executar o plano de contingência e reforçarão a operação do sistema de transporte para reduzir os impactos à população durante este segundo dia de paralisação”.
Em nota, a TIC Trens informou que reforçará o atendimento ao público na estação de transferência Palmeiras-Barra Funda, com ampliação do número de colaboradores para orientação e suporte aos passageiros.
A concessionária também irá operar com frota máxima nos horários de pico e manterá monitoramento contínuo da operação ao longo do dia. Conforme a demanda de passageiros, se necessário, poderá antecipar a inserção de trens em circulação ou postergar o recolhimento dos trens.
A Motiva disse que as linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda operam regularmente nesta quarta-feira (5) e permanecerão com os esforços estratégicos para garantir o melhor atendimento aos clientes.
A concessionária também afirmou que manterá o reforço das equipes de atendimento e operação, agentes embarcados em todos os trens e posicionados em pontos estratégicos das estações, transferências abertas e monitoramento em tempo real pelo Centro de Controle Operacional (CCO), permitindo ajustes na circulação sempre que necessário.
“Também poderá ser antecipado o horário de abertura das estações de transferências, conforme a demanda operacional do Metrô”, diz o comunicado.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil informou, em nota, que, apesar das tratativas realizadas ao longo do dia, o governo “não apresentou uma garantia concreta por escrito, de manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM, principal reivindicação dos Ferroviários durante todo o processo de negociação”.
“Diante da ausência dessa garantia, a assembleia da categoria decidiu manter a greve e convocou nova Assembleia Geral para esta quarta-feira, 5 de agosto, às 17h00, quando os trabalhadores voltarão a avaliar o andamento das negociações e os próximos encaminhamentos do movimento”, diz a nota.
sindicato dos Ferroviários fez assembleia no fim da tarde desta terça-feira (4) — Foto: TV Globo
Em nota, o governo do estado afirmou que “a justificativa apresentada pelo sindicato para sustentar o movimento não é verdadeira”. “Não há demissões em curso decorrentes do processo de concessão. Dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026, 2.171 seguem na Linha 10-Turquesa; os demais funcionários estão contemplados no plano de realocação englobando Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos”, diz o texto (leia a íntegra mais abaixo).
Mais cedo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), usou as redes sociais para criticar a greve. Ele chamou o movimento de “instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem”.
“A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo. Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações
