Um estudo inédito na Região Metropolitana de Curitiba indica que áreas naturais preservadas têm um papel crucial na proteção das cidades contra os impactos das mudanças climáticas. Essas áreas demonstram uma capacidade superior de reduzir enchentes, armazenar carbono e recarregar aquíferos, segundo a pesquisa da SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental).
Tradicionalmente, as cidades têm respondido a chuvas intensas com obras de engenharia, como a ampliação de galerias pluviais. No entanto, o projeto Observatório Climático do Alto Iguaçu mostra que a natureza já fornece uma infraestrutura eficaz para lidar com esses eventos.
O estudo analisou cerca de 6.200 hectares entre Curitiba e Araucária, avaliando a capacidade de infiltração de água e armazenamento de carbono em diferentes áreas. Os resultados revelaram que regiões mais preservadas têm maior habilidade de absorver água da chuva e reduzir o escoamento superficial, enquanto áreas urbanizadas enfrentam maior vulnerabilidade.
Uma das descobertas mais significativas foi a capacidade anual de recarga hídrica da bacia do Alto Iguaçu, estimada em 3,7 bilhões de metros cúbicos, o que poderia abastecer 25 milhões de residências por ano. Além disso, as áreas naturais estudadas armazenam em média 137,94 toneladas de carbono por hectare.
O projeto não apenas busca gerar conhecimento, mas também pretende transformar essas evidências em políticas públicas, com a formação de servidores e líderes comunitários para integrar essas informações ao planejamento urbano, visando cidades mais seguras e resilientes.
