Uma pesquisa da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em parceria com a Universidade de Toronto, identificou uma adaptação evolutiva nas gramíneas que pode melhorar a eficiência no uso de nitrogênio, essencial para o crescimento das plantas. O estudo, publicado na revista Plant Physiology and Biochemistry, foi apresentado durante o II Congresso Brasileiro de Biologia Evolutiva em Belo Horizonte.
A pesquisa, liderada pela pesquisadora Gabriela Ellen Barreto Bossoni, analisou 12 espécies vegetais sob diferentes níveis de disponibilidade de nitrogênio. Os resultados mostraram que as gramíneas C4 possuem uma arquitetura de parede celular que reduz a necessidade desse nutriente, permitindo que mais nitrogênio seja utilizado em processos como a fotossíntese e o crescimento.
Os experimentos revelaram que as gramíneas C4 apresentaram uma eficiência no uso do nitrogênio para fotossíntese até 81% superior em comparação com outras plantas C4. Essa adaptação pode ter sido favorecida ao longo da evolução, especialmente em ambientes quentes, onde a economia de nitrogênio se torna crucial para o crescimento.
A descoberta pode impactar diretamente os produtores rurais, pois possibilita o desenvolvimento de cultivares mais eficientes, reduzindo a dependência de fertilizantes nitrogenados e os custos de produção. Além disso, a pesquisa sugere um novo parâmetro para avaliar a eficiência do uso de nitrogênio na parede celular, que pode auxiliar em futuras iniciativas de melhoramento genético.
