domingo, 30 de agosto de 2026
Postado emParaná, Vida e Saúde

Nove pinguins-de-Magalhães reabilitados são soltos no litoral do Paraná

Nove pinguins-de-Magalhães reabilitados são soltos no litoral do Paraná
Nove pinguins-de-Magalhães reabilitados são soltos no litoral do Paraná
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Nesta terça-feira (11), nove pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) retornaram ao oceano após concluírem o processo de reabilitação no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde da Fauna Marinha (CReD), vinculado ao Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A soltura, que ocorreu no litoral paranaense, marca o fim de um trabalho iniciado em maio, quando os primeiros animais da temporada foram resgatados na Ilha de Superagui, em Guaraqueçaba.

Os pinguins foram atendidos pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado no Paraná pelo LEC/UFPR. A equipe monitora diariamente as praias para registrar a ocorrência de animais marinhos e prestar atendimento especializado aos encontrados com vida. Segundo Liana Rosa, bióloga e gerente operacional do PMP-BS/LEC-UFPR, a soltura é o resultado de semanas de dedicação e uma oportunidade de aproximar a sociedade da conservação marinha.

“Nosso objetivo é retornar esses animais ao oceano com as melhores condições de sobrevivência. Além disso, abrir esse momento para a comunidade é uma forma de aproximar as pessoas da ciência, sensibilizá-las sobre a conservação da fauna marinha e mostrar como esse trabalho integrado gera benefícios para toda a sociedade”, explicou.

Durante a temporada de inverno, que vai de maio a setembro, os pinguins migram da Patagônia em busca de alimento e muitos chegam debilitados às praias brasileiras. De 31 de maio a 31 de julho, o PMP-BS registrou 198 pinguins encalhados no litoral do Paraná: 165 mortos e 33 vivos, que foram resgatados e encaminhados ao CReD.

A médica-veterinária Juliana Bresciani, do PMP-BS/LEC-UFPR, explica que a maioria apresenta a “síndrome do pinguim encalhado”, com baixo peso, desidratação e hipotermia. “Além disso, durante os atendimentos também identificamos casos relacionados à interação com atividades humanas, como marcas de emalhe em redes de pesca”, disse. O primeiro atendimento na praia é essencial para aumentar as chances de sobrevivência, como destaca a monitora Evanise da Silva Nunes.

“Durante o monitoramento, encontramos pinguins debilitados e é parte nosso trabalho realizarmos uma avaliação externa rápida da condição do animal, repassar para os veterinários as informações colhidas e, seguindo às orientações deles, realizar os primeiros cuidados para encaminhá-lo ao CReD o mais rápido possível. Participar da etapa da soltura e ver esse mesmo animal retornando ao oceano é a confirmação de que todo o empenho e dedicação dedicadas ao atendimento valeram a pena”, afirmou.

A soltura em grupo é estratégica, pois os pinguins são animais gregários e a vida em agregação favorece a proteção contra predadores e a busca por alimento. Para a coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, Camila Domit, a ação representa um trabalho integrado de monitoramento, reabilitação e pesquisa, além de aproximar a população da ciência. “A soltura representa o resultado de um trabalho integrado que conta com muitos profissionais e colaboradores. Ela é a resultante de processos de monitoramento, atendimento, reabilitação, pesquisa, gestão ambiental e o esforço de uma equipe multidisciplinar comprometida com a conservação da biodiversidade marinha”, completou.

O PMP-BS é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras na Bacia de Santos. No Paraná, a execução é feita pela equipe do LEC/UFPR.

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