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domingo, 30 de agosto de 2026
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Seminário em Maringá debate papel das cidades no enfrentamento à emergência climática

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Seminário em Maringá debate papel das cidades no enfrentamento à emergência climática
Seminário em Maringá debate papel das cidades no enfrentamento à emergência climática

Maringá sediou nesta sexta-feira, 7, o seminário regional ‘Municípios pelo Clima – Compromisso para o Enfrentamento dos Desastres Climáticos’, promovido pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por meio do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo (Gaema). O evento reuniu mais de 250 participantes de 56 municípios, entre prefeitos, procuradores e integrantes da Defesa Civil, para discutir estratégias de prevenção e adaptação às mudanças climáticas.

A programação do evento contou com apresentações focadas na gestão de riscos e governança. O prefeito de Maringá, Silvio Barros, que também preside a Comissão de Adaptação, Mitigação e Prevenção de Desastres da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), participou do painel ‘Governança Climática na Prática – O Exemplo de Maringá/PR’. Ele apresentou as estratégias adotadas pelo município para prevenção e enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas.

Durante o evento, o prefeito Silvio Barros destacou que os municípios têm papel decisivo no enfrentamento à crise e reforçou que compromissos globais exigem ações concretas nas cidades. “Precisamos considerar com muita seriedade o que está acontecendo e pensar nas próximas gerações. Os municípios precisam estar preparados para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas”, alertou.

Ao apresentar estudos que apontam o Paraná como parte do segundo maior corredor de ciclones do mundo, a exemplo de Rio Bonito do Iguaçu, o prefeito chamou a atenção para a urgência de medidas preventivas. “Nós não recebemos este planeta de herança dos nossos pais. Estamos pegando emprestado dos nossos filhos. Por isso temos que fazer alguma coisa”, declarou.

Outro momento importante foi o painel ‘O Ministério Público e a Indução de Políticas Públicas Preventivas’, ministrado pelo promotor de Justiça Daniel Pedro Lourenço. Ele reforçou que o trabalho busca antecipar cenários e identificar vulnerabilidades antes que situações de emergência ocorram. “Nosso objetivo é atuar de forma preventiva e estar ao lado dos municípios para que estejam cada vez mais preparados para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas”, pontuou o promotor.

Já o painel ‘Estratégias Operacionais de Proteção e Defesa Civil Estadual’ foi comandado pelo coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig. “A prevenção precisa começar no município, porque é aqui que as pessoas vivem e é aqui que os problemas acontecem. Por isso, encontros como este são tão importantes: permitem que os municípios compartilhem experiências, conheçam os riscos e estejam mais preparados para agir. Maringá vem trabalhando para antecipar esses cenários e fortalecer a prevenção, porque quanto mais preparados estivermos, mais rápida e eficiente será a resposta quando uma situação de emergência acontecer”, reforçou.

O secretário de Infraestrutura, Limpeza Urbana e Defesa Civil de Maringá, Vagner Mussio, destacou que “os municípios precisam ter resiliência, trocar experiências e construir estratégias conjuntas para proteger a população. Este encontro reúne pessoas que vivenciam diariamente a Defesa Civil e os efeitos dos eventos climáticos, e essa troca de conhecimento fortalece a preparação de toda a região”, afirmou o secretário.

Ações preventivas em Maringá – Durante as apresentação, o prefeito Silvio Barros detalhou a aplicação de tecnologia, inteligência artificial e análise de dados para mapeamento de pontos de alagamento, fortalecimento da Defesa Civil e implantação de novos sistemas de monitoramento.

“Estamos usando tecnologia, inteligência artificial e dados para transformar prevenção em ação. Maringá já tem mapeados os principais pontos de risco de alagamentos e está ampliando o monitoramento das condições climáticas para antecipar situações de vento forte e outros eventos”, declarou o prefeito. Ainda de acordo com ele, um novo sistema desenvolvido pelo próprio município permitirá que a população informe ocorrências e acompanhe, em tempo real, o atendimento da Defesa Civil.

Outra iniciativa em andamento é a implantação de estações meteorológicas em diferentes regiões da cidade para acompanhar com precisão as condições climáticas e identificar áreas sob maior risco. “O sistema vai permitir identificar onde o impacto pode ser maior e dar tempo para nos prepararmos”, explicou.

Maringá também integra 20 webinários nacionais promovidos pela Fundo Nacional das Prefeitas e Prefeitos (FNP) com instituições como Ministério da Saúde, Ministério do Meio Ambiente, Cemaden e INPE. “Estamos no quinto webinário, e cada um traz especialistas para explicar o que está acontecendo e compartilhar bons exemplos do que pode ser feito”, destacou o prefeito.

Participação – A união de esforços entre os municípios da região e os órgãos estaduais foi um dos pontos centrais abordados pelas lideranças presentes no evento. O promotor de Justiça Nivaldo Bazoti, coordenador regional do Gaema, explicou a finalidade da articulação promovida pelo Ministério Público. “O fenômeno El Niño é uma realidade. A ideia do seminário é justamente chamar a atenção dos municípios para a importância da prevenção e unir conhecimento para mitigar possíveis danos”, argumentou Bazoti, defendendo a integração entre municípios, Estado e MP.

O presidente da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep) e prefeito de Atalaia, Carlos Eduardo Armelin Mariani (Duda), enfatizou que os eventos climáticos extremos já são uma realidade local. “Nunca passamos por isso, mas hoje já vemos acontecimentos que mostram que isso chegou e é um fato que precisamos encarar de frente. A importância está na prevenção e no treinamento das nossas Defesas Civis, para que saibam como agir caso uma situação dessas aconteça nos municípios”, frisou Duda.

A prefeita de Mandaguari, Ivonéia Furtado, ressaltou a relevância da troca de experiências intermunicipal. “Cada cidade conhece a sua realidade e os seus principais riscos, e essa troca de experiências permite que a gente se prepare melhor e construa estratégias conjuntas. No fim, todo esse trabalho tem um único objetivo: fortalecer a prevenção e garantir uma resposta cada vez mais rápida e eficiente para proteger a nossa população”, sustentou a gestora.

“Como estudante de Agronomia, esse aprendizado é ainda mais importante, porque futuramente estaremos ao lado dos produtores, ajudando a enfrentar situações que podem afetar diretamente a produção. É uma experiência que aproxima a formação acadêmica dos desafios que já fazem parte da nossa realidade”, comentou estudante do 2º ano de Agronomia da UniCesumar, Renan Boldrin Bernardo, que participou do evento.

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