A Reserva Natural Serra do Tombador, em Goiás, uma das maiores áreas privadas do Cerrado, com 8.730 hectares, está adotando estratégias para se adaptar às mudanças climáticas. Diante de secas mais severas, a reserva utiliza o Manejo Integrado do Fogo (MIF) para reduzir o risco de incêndios e conta com a parceria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para atualizar seu plano de gestão.
O MIF, implementado em 2021, consiste em queimas controladas que criam um mosaico de áreas queimadas, formando barreiras contra incêndios de grandes proporções. A técnica evita o acúmulo de matéria orgânica seca, que serve de combustível para o fogo, e é baseada em estudos que mostram que a proibição total do fogo no Cerrado pode causar incêndios mais destrutivos.
“Temos uma biodiversidade muito rica, com aproximadamente 460 espécies de flora e 550 espécies de fauna catalogadas, incluindo animais ameaçados de extinção, raros ou endêmicos”, afirma Mariana Vasques, coordenadora da reserva. “O manejo é uma importante ação que visa a prevenção e o combate a incêndios, refletindo diretamente na conservação da reserva”, completa.
O projeto Adaptando Unidades de Conservação, desenvolvido com o Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (Lageamb) da UFPR, busca aprimorar o plano de gestão da reserva para torná-lo mais resiliente a eventos climáticos extremos. “O papel do Lageamb é aprimorar o plano de gestão da reserva para torná-lo ainda mais resiliente diante dos eventos climáticos extremos, incorporando modelagens de cenários futuros e refinando o arcabouço científico que sustenta as decisões de manejo”, explica a engenheira florestal Natacha Sobanski, subcoordenadora do projeto.
Além do manejo do fogo, a reserva realiza monitoramento constante da fauna, patrulhamento para prevenir invasões e crimes ambientais, e apoia pesquisas de longa duração sobre o MIF, incluindo estudos sobre a relação do fogo com répteis e anfíbios.