O Diagnóstico Socioterritorial de Bela Vista da Caroba, publicado em junho de 2026, é uma ferramenta essencial para o planejamento das políticas públicas e fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O documento analisa as dinâmicas sociais, econômicas e culturais do município, visando identificar vulnerabilidades e potencialidades para o desenvolvimento social.
ESTADO DO PARANÁ
# DIAGNÓSTICO SOCIOTERRITORIAL –
# BELA VISTA DA CAROBA
# 2026 2
PREFEITURA MUNICIPAL DE BELA VISTA DA CAROBA – PR
Prefeito Municipal – Gelson Maffi
SECRETARIA MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
Gestora Municipal – Rosangela Cardoso Maffi
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA
Secretário – Magnus José Zaleski
SECRETARIA MUNICIPAL DE ESPORTE
Secretário – Leonardo Vinicius de Barros
SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO
Secretário – Alaides Antonio Severo
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE
Secretária – Liandra Maria Salles Storch
Equipe de elaboração
Aggiornare Assessoria de capacitação e treinamento.
Revisão do Diagnóstico Socioterritorial
Rosangela Cardoso Maffi 3
SUMÁRIO
1. IDENTIFICAÇÃO …………………………………………………………………………… 4
2. INTRODUÇÃO ………………………………………………………………………………. 5
3. CARACTERIZAÇÃO DEMOGRÁFICA E DINÂMICA POPULACIONAL… 7
4. INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO HUMANO ……………………..14
4.1 IDHM e Qualidade de Vida ………………………………………… 14
5. EDUCAÇÃO ……………………………………………………………………..18
6. SAÚDE………………………………………………………………………….. 20
7. HABITAÇÃO…………………………………………………………………….23
8. POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL…………………………………….. 24
8.1 Protocolos de gestão de benefícios eventuais……………… 26
8.2 Cadastro Único e proteção social……………………………… 28
8.3 Fluxograma de atendimento à criança e ao adolescente….. 33
9. CONSELHO TUTELAR ……………………………………………………… 34
10. ANÁLISE INTEGRADA: O CRUZAMENTO ENTRE INDICADORES
ESTRUTURAIS E A REALIDADE DOS ATENDIMENTOS (RMA 2025) …..37
11. PRINCIPAIS VULNERABILIDADES IDENTIFICADAS NO MUNICÍPIO.42
12. POTENCIALIDADES DO TERRITÓRIO E ESTRATÉGIAS DE
DESENVOLVIMENTO SOCIAL …………………………………………………46
13. DIRETRIZES ESTRATÉGICAS PARA A POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA
SOCIAL A PARTIR DO DIAGNÓSTICO ……………………………………….48
14. ANÁLISE CONCLUSIVA DO DIAGNÓSTICO SOCIOTERRITORIAL …50
15. REFERÊNCIAS …………………………… ………………………………….56 4
1- IDENTIFICAÇÃO
Ente Federativo
Município: Bela Vista da Caroba – PR
Prefeito: Gelson Maffi
Vice-Prefeito: Mateus Marins
Endereço: Rua Rio de Janeiro, nº 1021, Centro – CEP: 85745 -000
Telefone: (46) 92000 -6455
E-mail: [email protected]
Site: https://www.belavistadacaroba.pr.gov.br
Órgão Gestor da Assistência Social
Órgão Gestor: Secretaria Municipal de Assistência Social
Gestor: Rosangela Cardoso Maffi
Endereço: Rua Mato Grosso do Sul, n° 22, Centro – CEP: 85745 -000
Telefone: (46) 92000 7316
E-mail: [email protected]
Fundo Municipal de Assistência Social – FMAS
Gestor do FMAS: Rosangela Cardoso Maffi
Lei de Criação do FMAS: 611/2022
CNPJ: 14.782.926/0001 -90 5
2- INTRODUÇÃO
O presente Diagnóstico Socioterritorial de Bela Vista da Caroba constitui-se
como uma ferramenta técnico-científica indispensável para o planejamento
estratégico das políticas públicas e o fortalecimento do Sistema Único de Assistência
Social (SUAS). Sob esta ótica, o território não é compreendido meramente como uma
base física, geográfica ou administrativa, mas como um “território vivo”. Trata-se do
palco em que as relações de vizinhança, as heranças culturais dos pioneiros e as
dinâmicas econômicas do agronegócio familiar se entrelaçam para consolidar a
identidade singular da população belavistense.
A Vigilância Socioassistencial está sendo implementada em Bela Vista da
Caroba, ela irá atuar como o eixo de inteligência da Secretaria Municipal, sendo
responsável por processar e analisar dados provenientes do Cadastro Único
(CadÚnico) e do Relatório Mensal de Atendimento (RMA), entre outras fontes, para
converter registros burocráticos em planejamento estratégico.
Enquanto o CadÚnico fornece o mapeamento das vulnerabilidades instaladas — como
níveis de renda, precariedade habitacional e defasagem educacional das
famílias —, o RMA permite monitorar a resolutividade das intervenções realizadas
pelas equipes técnicas. O cruzamento dessas informações é o que possibilita
identificar as chamadas “áreas de sombra” no território rural: comunidades que,
embora possuam indicadores de risco no CadÚnico, apresentam baixo volume de
atendimentos registrados no RMA.
Dessa forma, a análise sistemática do RMA permite à gestão municipal
qualificar o acompanhamento do PAIF e do SCFV, ajustando a oferta de grupos e
oficinas conforme a sazonalidade das demandas identificadas. Se o RMA aponta, por
exemplo, um aumento nas solicitações de benefícios eventuais em determinado
microterritório, a Vigilância Socioassistencial aciona as equipes para uma análise das
causas estruturais, que podem variar desde perdas na safra agrícola até o
agravamento de quadros de saúde na população idosa. Este modelo de Planejamento
Baseado em Evidências assegura que os recursos financeiros sejam alocados com
máxima eficiência, atendendo ao princípio da equidade — em que se disponibiliza
recurso para quem mais necessita — e consolidando uma proteção social proativa,
que se antecipa à ocorrência do agravamento de riscos e ao rompimento definitivo de
vínculos familiares no contexto belavistense.
Localizado na mesorregião do Sudoeste Paranaense, o município enfrenta
desafios estruturais inerentes às pequenas localidades rurais, como o isolamento
geográfico de determinadas comunidades, a dependência de centros urbanos de
maior porte para serviços de alta complexidade e a necessidade de equalizar sua
vocação agrícola com a urgência da modernização tecnológica e da inclusão digital.
A trajetória histórica de Bela Vista da Caroba é indissociável do fluxo migratório
que caracterizou o Sul do Brasil em meados do século XX. O processo de ocupação
efetiva iniciou-se por volta de 1949, quando o território — então caracterizado por
densas florestas de Mata Atlântica e imponentes matas de araucária, além dos
jacarandás-caroba que deram nome à localidade — passou a receber as primeiras
famílias pioneiras. Esses migrantes, oriundos majoritariamente do Rio Grande do Sul
e de Santa Catarina, eram descendentes de imigrantes europeus, sobretudo de matriz
italiana, alemã e polonesa.
Trouxeram consigo um modelo de desenvolvimento baseado na pequena
propriedade familiar e na solidariedade comunitária, elementos que ainda
fundamentam o tecido social do município. Registros históricos destacam famílias
como Pinheiro, Castanha e Aurélio como as primeiras a desbravar a região em 1949,
seguidas pelas famílias Schmidt e Banovski em 1950.
Diferente de outros processos de colonização, a ocupação desta área foi
marcada por tensões agrárias profundas. A década de 1950 foi cenário de conflitos
armados conhecidos como “Intentonas” e culminou na Revolta dos Colonos de 1957.
Este período de resistência política opôs os agricultores ocupantes às companhias de
terras, com destaque para a Companhia Imobiliária de Terras Ltda (CITLA). A referida
empresa reivindicava a posse de vastas áreas já desbravadas e cultivadas pelos
colonos, exigindo pagamentos por terras onde as benfeitorias já haviam sido
estabelecidas. 7
A memória local preserva relatos de lideranças como Pedro Godoi dos Santos,
que, apoiado por Domingos e Miro Tavares, mobilizou as famílias em episódios de
resistência extrema. Eventos marcantes ocorreram na localidade de Esquina Gaúcha
em 1952, no Km 19 e em Lajeado Grande, onde o escritório da CITLA foi incendiado
em sinal de protesto contra as tentativas de expropriação forçada.
Esses conflitos forjaram no povo belavistense um caráter de resiliência.
